Nota Informativa

AI Act: um novo paradigma regulatório para data centers?

25/03/2025

O Regulamento europeu de Inteligência Artificial (AI Act) estabeleceu um regime normativo garantindo assim o uso ético e seguro da IA. Porém, e tendo em conta o contexto de data centers, ainda é necessário compreender quais os impactos ambientais da sua utilização.

O Regulamento europeu de Inteligência Artificial (AI Act) [1] estabelece um regime normativo para garantir o uso ético e seguro da IA, incluindo a proteção do meio ambiente. No entanto, o enquadramento atual ainda não endereça de forma abrangente os impactos ambientais decorrentes do uso intensivo da IA[2], especialmente no contexto dos data centers[3].

Impactos para os data centers

A crescente procura por recursos computacionais imposta pela IA intensificou a necessidade de data centers eficientes e resilientes. Contudo, o aumento exponencial do consumo energético e da utilização de recursos naturais impõe desafios regulatórios e de sustentabilidade.

Tendências regulatórias e desafios operacionais
  • Sustentabilidade e eficiência energética: De acordo com um estudo da Mckinsey[4], o consumo de energia pelos data centers poderá triplicar até 2030. A implementação de soluções como refrigeração líquida, energias renováveis e reutilização de calor residual surge assim como uma necessidade.
  • Infraestruturas adaptadas à IA: O design dos data centers está a ser reformulado para suportar hardware especializado e cargas de trabalho intensivas. Estas cargas referem-se ao elevado processamento computacional necessário para aplicações de IA, como modelos de machine learning e deep learning, que requerem grande capacidade de cálculo e armazenamento. Ferramentas como gémeos digitais, que são réplicas virtuais dos sistemas físicos dos data centers, permitem otimizar o consumo de recursos, melhorando a eficiência e garantindo o cumprimento de normas regulamentares.
  • Pressões sociais e normativas: Alguns países, como a Irlanda, já impuseram restrições ao desenvolvimento de novos data centers em certas regiões devido ao impacto ambiental. O AI Act exige transparência e gestão de riscos, mas ainda carece de previsões específicas para mitigação dos impactos ambientais[5] deste tipo de infraestruturas.
  • Competitividade e inovação: A adoção de boas práticas ambientais, além de reduzir custos, pode conferir vantagem competitiva aos operadores do setor, alinhando-se a iniciativas de compliance e ESG.
Oportunidades e respostas do setor
  • Colaboração interinstitucional: O diálogo entre operadores de data centers e reguladores pode ajudar na implementação de diretrizes conciliadoras da inovação tecnológica e responsabilidade ambiental[6].
  • Infraestruturas modulares e escaláveis: A adoção de modelos flexíveis de expansão operacional pode otimizar recursos e reduzir o impacto ambiental.
  • Transparência como vantagem competitiva: a adoção de boas práticas ambientais e de relatórios de impacto pode dinamizar aceitação pública e investimentos sustentáveis.
 
Autorregulação como complemento ao AI Act

Face à ausência de regras específicas no AI Act sobre sustentabilidade, o sector pode optar por promover práticas de autorregulação, que pode focar os seguintes pontos:

A adoção de mecanismos de autorregulação implica, também, uma adequada ponderação dos desafios e vantagens inerentes, tais como:

Conclusão

A convergência entre regulação e inovação sustentável será crucial para o futuro dos data centers na era da inteligência artificial. Antecipar as exigências regulatórias e adotar soluções sustentáveis não assegura apenas o cumprimento do quadro normativo aplicável, mas representa também uma estratégia competitiva e um diferencial que o recurso a estas infraestruturas requer.

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